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Rádio com História - Guarda, Portugal

A Guarda passa a imagem de ser cábula. De estudar pouco e de não fazer os deveres. A imagem de ser mesquinha e invejosa e de lidar mal com os êxitos dos outros, mesmo quando estes são conseguidos de forma pouco clara.
A Covilhã não é uma cidade de neve. Sabemos nós que somos da Guarda e pouco mais. Porque a imagem que passa para o resto do país, é que não só é uma cidade habituada à neve, como é “proprietária” da Serra da Estrela. A maioria dos portugueses, associa a Serra da Estrela à Covilhã. Tenho até a ideia, que a maioria desconhece que, por exemplo, a Torre está no distrito da Guarda.
Esta forma de divulgação, que a Covilhã faz há muito tempo, passa por exemplo pela comunicação social. Da local e dos correspondentes das nacionais.
E o que temos visto?
Uma notícia só o é, quando incluí refeição, obviamente à borla, ou então, usam a profissão que tem, para pagar os inúmeros calotes, recorrendo a felácios noticiosos.
Esta questão sobre o estágio da selecção é apenas mais uma prova que na Guarda, não se fazem os trabalhos de casa.
Se é verdade que a Câmara Municipal é a principal responsável pela imagem que a região deve transmitir, também é verdade que a Câmara não é a única e que se espera mais de outras instituições e até privados.
Neste caso do estágio da selecção, qual foi o papel da Associação de Futebol da Guarda? Enviou alguma candidatura? Apresentou os seus argumentos à Federação Portuguesa de Futebol? Delineou alguma estratégia com entidades da Guarda, por exemplo, com a endividada Associação Comercial? Ou preferiu manter a pequena guerra de tronos, recordando quem saiu vitorioso do confronto Amadeu Poço vs Victor Santos? Ou ainda, estará assim tão ocupada, com os inúmeros triunfos e visibilidade que o futebol do distrito nos tem dado?
E a Associação Comercial? Tem algum projecto de gaveta pronto para apresentação da cidade? Uma apresentação que mostre a capacidade hoteleira de uma verdadeira, talvez a única em Portugal, cidade de montanha? Algum ideia de uma mostra dos restaurantes mais emblemáticos da região, que promovam a nossa gastronomia?
Mas vejamos as coisas pelo lado positivo.
Neste exemplo, vamos evitar o espectáculo degradante, que é ver meros jogadores de futebol, serem tratados como Deuses. E assistir aos seus caprichos, birras e patéticas exigências, de putos malcriados e milionários. Vamos evitar estradas cortadas ao trânsito, com batedores a abrir o caminho para suas excelências passarem. Evitaremos também, aquela visão aterradora de ter o João Baião ao saltos na Praça Velha com as referências da Guarda, a de sempre, Luís Filipe Reis e a nova, promovida pela SIC, a Simara. Ou na pior das hipóteses, estar um dia de chuva e quererem usar os palcos do TMG, para essa decadência que é confundir o popular com popularucho. Evitaremos também jornalistas engalanados em expedição à selva para ver os indígenas da Serra e descobrirem que surpreendentemente, temos electricidade e pasmem-se, até internet.
Fazendo bem as contas, a diferença entre o deve e o haver, não deve ser muita.
Esta questão do estágio da selecção, é só um exemplo da nossa ineficácia. O que mais me inquieta, é quando se equipara esta forma de agir, com outros exemplos muito mais importantes.
É esta forma de fazer as coisas, que nos limita os sonhos.

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Fernando Videira Comentário de Fernando Videira em 12 Janeiro 2010 às 19:14
Não sei bem a imagem que a Guarda passa. Isso talvez dependa mais de quem vê a imagem, isto é, mais nítida ou mais embacia. Por nós o certo é que a imagem da Guarda tem que ser transmitida por pessoas da Guarda, que gostem da Cidade e que gostem do Distrito pois parece-nos que a Guarda tem que ser olhada com vistas largas, o mesmo é dizer, como pólo aglutinador e potenciador de desenvolvimento regional. A Guarda já teve um pouco essa vocação, parece-nos a nós. Talvez tenha perdido um pouco essa sua vocação. Mas a questão não está no diagnóstico, pois esse está feito. A questão está no, como responder aos novos desafios destes novos tempos que são cada vez mais exigentes. Que plano de acção deve ser feito?
Será que já existe?
Que tipo de caminho quer seguir a Guarda neste contexto de competitividade global (com Cidades do chamado interior profundo)?
Estas, salvo melhor opinião, são as perguntas que tem que ser formuladas e para as quais tem que ser encontrada uma resposta. Não será uma resposta fácil. Mas, por isso mesmo esta “dificuldade” tem que nos unir a todos em torno deste objectivo que é de toda a esta região.
Dou um exemplo: - A Guarda é hoje uma Cidade com uma programação cultural que faz cobiça a muitas outras cidades deste País. Esta programação é uma referência para muita gente e traz à Guarda muitas pessoas deste Distrito e não só. Sei bem que esta ideia não é consensual, mas é a verdade.
Parece-nos pois que é preciso unir e para unir é preciso ter ideias muito claras do que queremos e que caminho queremos percorrer juntos.
Este episódio, do estágio da selecção nacional, pode muito bem ser potenciado para que os responsáveis de todo este Distrito se unam e façam “lobby” para fazer o que vale a pena ser feito por toda esta região que bem precisa.
Cumprimentos a todos os ouvintes da Rádio Altitude

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