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Um dia destes como devem ter dado conta passei-me mesmo. É verdade a morte do Carlos deixou-me bastante abanado. Há quem me diga que não é preciso muito para que eu me passe desta forma, talvez, sei lá.
Mas vá, desculpem lá ter vos incomodado com os meus estados de alma. Aquele dia não resisti e já que se usa o email para tanta coisa pensei para comigo. Porque não partilhar com as pessoas que eu considero minhas amigas esta angustia esta “revolta” que me aflige. No entanto, já mais tarde, aqui para nós tarde de mais, ainda pensei para os meus botões. Para o que te havia de dar Fernando, quem te manda ser desta forma! Faltará lá preocupações aos teus amigos quanto mais estares a aborrecê-los com mais esta.
De facto é verdade, porque esta minha reacção, que por certo, alguns acharam estranha e quem sabe, até bem a despropósito.
Por isso desculpem lá mais esta.
No entanto deixem que vos acabe a prosa que começou no email anterior e que se referia ao diálogo que o Eduardo Sá estava a ter na rádio como já vos tinha dito.
O Eduardo Sá é, como bem sabem, um Professor Universitário e escritor que tem estudado os problemas ligados à infância e juventude. É um pensador bem conhecido.
Então dizia ele, que o senhor António que era um homem simples com poucos estudos e que era e pelos vistos ainda é dono de um quiosque onde o Eduardo vai todas as manhãs comprar os jornais. Por isso, foi ganhando apreço pelo homem e havia uma certa empatia entre ambos. O senhor António na descrição do Eduardo era um homem muito inteligente e atento a todo o que o rodeava. O Sr. António tinha sempre uma palavra amiga ou uma graça ou um comentário sobre as manchetes dos jornais, qualquer coisa, tinha sempre algo para dizer. Aquele dia depois do cumprimento do costume dispara-lhe aquela pergunta que eu também já vos fiz.
Ó senhor Professor, o senhor sabe o que faz um burro à sombra?
Também já vos disse que o Eduardo pensou, pensou e foi dando os seus palpites que foram vários ao que o António respondia sempre com um, não senhor.
Bem o Eduardo, contou ele na rádio, intrigado, às tantas perguntou-lhe com curiosidade:
-Bem já que não acerto a resposta vá lá, diga lá o senhor! Então o que faz o burro à sombra?
Resposta pronta do senhor António. Pois é senhor Professor é muito simples. Como deve calcular o burro não faz nada, mas a verdade é que o fez pensar para tentar responder à minha pergunta.
Então dizia o Professor Eduardo Sá para a sua interlocutora.
Resposta soberba sabia do senhor António
Como vê pensar é a coisa mais importante que qualquer ser humano faz e pode fazer.
Pois é meus amigos foi o que eu fiz também quando apanhei aquele “murro no estômago” e o que tentei fazer quando escrevi estas tretas, que, quem sabe, só serviram para vos aborrecer, no entanto a intenção não foi essa, bem pelo contrário. Mas pronto, já acabei esta “léria” que, espero, não vos tenha roubado muito do vosso tempo.
Há, deixem que vos diga. Também já li, só que agora não consigo dizer onde, mas já li que, “o pior defeito do Homem é pensar”
Apesar de tudo, eu cá não concordo com esta posição porque eu estou é de acordo com o senhor António. Pensar é para mim o melhor que o homem tem, disso não tenho qualquer dúvida, ainda que me chamem de, burro.
Vá lá, desculpem lá mais esta,
Abraço a todos
Fernando Videira
Ou não dizer e... não fazer... Por exemplo, não colocar foto... Ser anti...
Abraço